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1 de março de 2026

Traição no Relacionamento: Entendendo as Motivações Psicológicas

Autor: Psicólogo Valcrezio Revorêdo CRP-17/4661

A traição em um relacionamento amoroso é um dos fenômenos psicológicos mais estudados e complexos nas ciências sociais e comportamentais, justamente porque envolve motivações variadas, aspectos individuais e dinâmicas relacionais que não podem ser reduzidas a um único fator. Pesquisadores de psicologia, sociologia e neurociência vêm investigando por que algumas pessoas traem e outras permanecem fiéis, chegando a conclusões que ajudam a compreender esse comportamento sem cair em simplificações ou julgamentos moralistas.

O que a ciência diz sobre por que as pessoas traem

  1. Motivações múltiplas e variadas

Estudos que investigaram diretamente as razões relatadas por pessoas que se envolveram em infidelidade identificaram oito motivos principais para a traição, que vão muito além do simples “caso de sexo”: raiva, baixa autoestima, falta de amor no relacionamento, negligência emocional, baixo compromisso, desejo de variedade, desejo sexual e circunstâncias situacionais (como álcool ou férias) são fatores comuns citados por indivíduos que traíram seus parceiros.

Essas motivações revelam que a traição não é um fenômeno monolítico, há pessoas que traem por frustração emocional e outras por busca de novidade ou validação.

  1. Insatisfação emocional: conexão e reconhecimento

Mais de 70% dos participantes em algumas pesquisas associam a traição à busca por intimidade emocional que estava faltando no relacionamento. Isso inclui sentir-se desvalorizado, não ouvido ou emocionalmente isolado pelo parceiro. Estudos clássicos sugerem que, quando as necessidades de conexão e atenção não são atendidas, as pessoas podem procurar fora do relacionamento aquilo que sentem falta dentro dele.

  1. Busca por novidade e dopamina

Do ponto de vista neurocientífico, a atração inicial em um relacionamento envolve ativação intensa dos circuitos cerebrais de recompensa (dopamina), que diminuem ao longo do tempo conforme o vínculo se estabiliza. Algumas pessoas, por temperamento ou história de vida, podem sentir falta dessa excitabilidade inicial e a experiência de um novo parceiro pode reativar aquela sensação de excitação e recompensa que já não existe no vínculo primário.

Esse padrão explica por que até pessoas em relacionamentos percebidos como bons podem se envolver em infidelidade: não necessariamente por falta de amor, mas por busca de estímulo emocional e sensação de novidade.

  1. Aspectos individuais e traços de personalidade

Pesquisas em personalidade também mostram que certos traços, como neuroticismo (instabilidade emocional) e baixa conscienciosidade (menor autocontrole, menos planejamento) estão associados a maior probabilidade de infidelidade. Além disso, traços associados ao chamado “Dark Triad” (narcisismo, maquiavelismo, psicopatia) podem reduzir empatia e aumentar comportamentos manipuladores, incluindo traição.

Isso significa que, para algumas pessoas, fatores internos como a forma que regulam suas emoções e percebem suas relações, podem influenciar as chances de traição.

  1. Circunstâncias e oportunidades

Nem toda traição emerge de um plano deliberado. Muitas vezes o contexto facilita o comportamento, por exemplo, álcool, estresse intenso, longas ausências do parceiro ou ambientes sociais que incentivam encontros fora da relação. Nesses casos, a traição pode acontecer mais por uma junção de oportunidade + fatores emocionais que por uma decisão fria e planejada.

  1. Fatores sociais e culturais (contexto moderno)

No contexto atual, tecnologia e redes sociais ampliaram as oportunidades de conexão emocional ou sexual fora do relacionamento tradicional. O acesso fácil a aplicativos de paquera e o aumento das interações online podem facilitar vinculações externas que, com o tempo, podem se transformar em traição, mesmo quando não houve uma intenção inicial clara.

A traição diz mais sobre o relacionamento ou sobre a pessoa?

Essa pergunta não tem uma única resposta. Em muitos casos, a traição é resultado tanto de fatores internos quanto das dinâmicas do relacionamento:

  • Relacionamento “morto” ou emocionalmente vazio pode facilitar que uma pessoa busque conexão fora dele.
  • Indivíduos com dificuldades de regulação emocional, baixa autoestima ou padrões de apego inseguros podem estar mais vulneráveis a se envolver em traições, mesmo em relações satisfatórias.
  • Oportunidades e contexto social também desempenham papel sem isentar a traição, mas ajudando a entender como ela acontece.

Em outras palavras, a infidelidade é muitas vezes uma interação entre o que a relação oferece / não oferece e traços pessoais ou estilos de funcionamento emocional.

Como a terapia pode ajudar

A terapia, especialmente a terapia de casal ou a psicoterapia individual com foco relacional, pode ser muito útil porque:

1. Explora as necessidades emocionais de cada parceiro

Aproveita a oportunidade para compreender o que falta em termos de proximidade, validação e afeição, não para justificar a traição, mas para promover compreensão mútua.

2. Melhora a comunicação e expressão emocional

Muitas traições ocorrem em contextos de comunicação dificultada ou evitada. A terapia oferece ferramentas para abrir diálogo sem culpa e com respeito.

3. Ajuda a identificar padrões pessoais e traços de personalidade

Isso inclui trabalhar autoestima, impulsividade, estilos de apego e crenças sobre relacionamentos que podem influenciar comportamentos problemáticos.

4. Fomenta reconstrução de confiança

Para casais que desejam continuar juntos após uma traição, a terapia pode ajudar na reconstrução de confiança, na compreensão do impacto emocional do evento e na criação de planos concretos de mudança.

5. Oferece suporte para crescimento e mudança

Mesmo se a decisão for terminar a relação, a terapia dá suporte emocional e compreensão das próprias necessidades e padrões, o que pode prevenir repetição de comportamentos indesejados em relações futuras.

Entender os fatores sem culpabilizar unilateralmente, pode ser a chave para abordagens terapêuticas que promovam reflexão e, quando possível, reconstrução saudável do vínculo.

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